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7 Vidas, 7 Faces: O Lado B de Bowie

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Um metro e setenta e oito centímetros de talento, a arte em forma humana. Poucos o conheciam a fundo e há tanto, acredite, tanto a conhecer sobre David Bowie! Artista completo, era vulgarmente conhecido como camaleão do rock, pela capacidade de adaptação aos diversos estilos musicais e por inventar constantes alter-egos. Para ele não havia limites para a criatividade, e medo de arriscar era algo que desconhecia. Fomos apanhados de surpresa com a partida de Bowie, ainda este ano de 2016 estava a começar, corria o dia 10 de Janeiro. 7 vidas, 7 faces, nesta crónica convido-o a conhecer o David Bowie músico, compositor, ator, homem comum, músico, pai, pintor…

Brixton, em Londres, foi o local que viu nascer David Robert Jones, a 8 de Janeiro de 1947. “Bowie”, é nome artístico e foi adotado para evitar confusão com Davy Jones, membro dos Monkees. A música foi presença constante: desde cedo demonstrou ter o dom nas aulas de canto da escola e a opção pelo rock, acredita-se, foi influenciada pelo pai, que lhe mostrava músicas de artistas tradicionais, entre elas, Little Richard na canção “Tutti Frutti”.

Aos 12 o saxofone, aos 15 a primeira banda (os Kon-Rads) e, desde então, não mais parou. “Liza Jane”, assim se chamava o primeiro single, que teve tudo menos sucesso. A reviravolta aconteceu em 1969 com o lançamento de “Space Odity”, o primeiro grande sucesso de Bowie, que alcançou o 5º lugar em Inglaterra. Mas mais do que isso, o tema foi usado pela BBC na cobertura da primeira viagem tripulada à Lua.

Auto-retrato da autoria de David Bowie

Auto-retrato da autoria de David Bowie

Outras músicas que marcam a carreira de Bowie enquanto músico, são “Life on Mars”, “Heroes” e “Ziggy Stardust”. Este último tema, “Ziggy Stardust”, faz parte daquele que terá sido um dos maiores álbuns da história do rock e do artista: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, que dava o mote para a entrada nos anos 70, a época mais relevante e em que mais se destacou. Desta altura não podemos deixar de lado o álbum Aladdin Sane (1973), cuja inspiração para alguns temas veio do meio-irmão mais velho de Bowie, Terry, que se suicidou em 1985.

Um ano depois lança Diamond Dogs (1974) e em 1975, “Young Americans”, de onde salta aos ouvidos a canção “Fame”, uma parceria com o ex-Beatle John Lennon, que canta no backing vocal. Chegados os anos 80, o ritmo abrandou, mas fica para sempre o sucesso de “Let’s Dance” e a parceria com Freddie Mercury em “Under Pressure”.

Entre músicas, David Bowie expressava-se noutras formas de arte. O cinema foi exemplo, tendo participado em filmes como Christiane F. (1981), em que a personagem era ele mesmo, e pertencia a uma banda de rock; Fome de Viver (1983), onde interpretava o papel de vampiro; Merry Christmas Mr. Lawrence, realizado por Nagisa Oshima;  A Última Tentação de Cristo (1988) de Martin Scorsese, entre outros. Dos ecrãs aos acordes, o talento passou também para as telas. O auto-retrato era o estilo mais recorrente do músico que, embora tenha feito também outros tipos de pinturas, se deixou influenciar por Picasso, David Bomberg e Francis Bacon.

Bowie e Iman Abdulmajid

David Bowie, a sua esposa Iman Abdulmajid e a sua filha Alexandria Zahara Jones

Por detrás do David Bowie artista, não podemos esquecer o homem comum, o simples mortal. Houve sempre uma polémica em redor da sua orientação sexual, algo que se agravou depois de Bowie ter dito em entrevista que seria bissexual, no entanto, numa outra entrevista desmentiu. Este assunto nunca ficou totalmente esclarecido. Apesar disso, foi casado duas vezes. Do primeiro caso, com Angela Barnett, nasceu Duncan Jones em 1971; com a ex-modelo Iman Abdulmajid, com quem estava desde 1992, teve uma filha Alexandria Zahara Jones, em 2000.

Homem de sete ofícios e das sete vidas, sofreu seis ataques cardíacos e escondeu do mundo a doença que o levou, cancro no fígado. Teve a coragem de continuar a fazer aquilo que o definia, cantou até não poder mais. 30 álbuns, o direito ao nome no Rock and Roll Hall of Fame (1996) e algumas peripécias. A pupila do olho direito de Bowie estava sempre dilatada, sabe porquê? Tudo por uma rapariga. Diz-se que terá levado um murro no olho do amigo George Underwood. Digo amigo porque, apesar disso, continuaram unidos, e inclusive, Underwood foi responsável pelo artwork de alguns dos primeiros álbuns do cantor! Tudo está bem quando acaba bem, certo?

David Bowie estava tão à vontade com a música que, há um tema, o “Move On” do álbum The Lodger, que é uma versão de “All Young Dudes” reescrita de trás para a frente. Falar de David Bowie também é falar de Arcade Fire e de TV On The Radio, sabe porquê? Porque nos últimos anos de vida do artista, eram as bandas favoritas.

“Look up here, I’m in heaven”, um excerto do tema “Lazarus” e que me leva a pensar quão arrepiante é encarar o álbum Blackstar como uma despedida premeditada e a forma como Bowie partiu. O calendário a marcar 10 de Janeiro de 2016, em Manhattan, Nova Iorque e num mundo que chorou esta perda e, que se fez ouvir, para o homenagear nas mais diversas formas. Por certo partiu com o sentido de dever cumprido, três dias após soprar 69 velas e de lançar aquela que seria a sua última obra prima,”Blackstar”.

Bowie, de A a Z, porque alguém assim merece ser recordado.

Voltamos a encontrar-nos em breve, por entre linhas e sorrisos,
Margarida Gaspar

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