Política

Presidente da República: E se Todos Fossem Eleitos?

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Existem velhas máximas, chavões mesmo, que podem explicar o que se passa. Diz então o povo: “A união faz a força”; “Duas cabeças pensam melhor que uma”, “O todo é maior que a soma das partes”, e aqueles que me conhecem, sabem o que penso da sabedoria popular. Tenho-a em muito pouca consideração. O certo é que desta vez o povo pode mesmo ter razão. O cargo de Presidente da República é cada vez menos importante na sociedade portuguesa, por muito que a Constituição teime em tentar-nos convencer do contrário.

De qualquer forma continua a ser a pessoa que nos representa. Ora, se o Cavaco Silva foi o morto que melhor fez de Presidente da República, desde que no Terreiro houve o Regicídio, a próxima personalidade corre o risco de vir a ser o pior Presidente da República desde Cavaco Silva. Passo a explicar: dos 10 candidatos que temos nenhum, para mim, tem o perfil de Chefe Máximo do Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa

O candidato a Presidente da República que pelos vistos nem precisava de ir a eleições, o Professor Marcelo, está igual a si próprio. Portador de um cinismo ímpar, capaz de dizer o que quiser, e depois, o contrário, demasiado habituado a fazer comentário político, parece ser uma mixórdia perfeita para ser um desestabilizador nato para o Governo. Seja este de esquerda, ou outro qualquer. Este foi o mesmo homem que apoiou medidas que primam pelos direitos individuais, por exemplo, a que as mulheres deviam de assinar uma ecografia do feto, ao qual queriam provocar aborto. Bem, se isto não é violência psicológica, é pior. Terrorismo, mesmo! No debate contra o candidato Sampaio da Nóvoa, afirmou que o apoio do PCTP-MRPP era tóxico – concordo, mas já aprofundo – porém uma análise ao próprio umbigo não lhe tinha ficado nada mal. Porque o apoio de um partido político, por pouco democrático que seja, não deixa de ser legal. Já o apoio, informal que seja, da TVI não me parece. E isso sim, é tóxico.

Maria de Belém

Maria de Belém

Por falar em apoios tóxicos, na corrida a Presidente da República Maria de Belém conta com o do benjamim Soares. É verdade, o Ministro da Cultura do Governo apoia Maria de Belém, justificando o seu apoio com o argumento de que se a sua mãe estivesse viva, também a apoiaria. Vamos por partes. Primeiro, a família que mais chulou este país nos últimos 40 anos. Deus, existindo algum, acertou na família quando afastou de nós a Drª Maria Barroso, mas claramente falhou no individuo. Com isto não estou a dizer que desejo a morte a quem quer que seja, mas tenho uma garrafa de champanhe guardada em casa para quando o pai deste benjamim vá para 7 palmos debaixo de terra. Segundo, profanar a memória dos defuntos é crime certo? É que, que eu saiba, para além de Ministro, o dr João Soares não é médium. Se fosse a Maia, ou a Anne Germain, que andava com a Iva Domingos a aldrabar, quero dizer, a confortar pessoas, a troca de dinheiro, com as palavras dos seus defuntos, eu acreditava. Agora, usar a falecida mãe como argumento político devia de pôr vergonha na cara a qualquer um, mas ao que parece daquela família já tudo é possível.

Edgar Silva

Edgar Silva

Quem pelos vistos passou de falar com o Além para já não querer nada com ele é o senhor prior Edgar Silva, ou ex-prior. Pelo que dizem a carreira de padre até é boa. Pronto tem alguns incómodos, como o celibato e tal, mas pelo que temos andado a assistir, nada que um papel a dizer “Catequese aos Domingos na Sacristia”, não resolva. Tendo isto em conta não percebo como é que este sujeito passa da homilia no dia santo, para discursos de candidato a Presidente da República que começam com “Camaradas!” e que pelo meio tem a frase “como se os deuses, existindo deuses, já tivessem tudo decidido”. Não tenho nenhum problema em haver mais um ateu neste mundo. E as pessoas mudam de opiniões, agora esta foi um bocado drástica. Daqui a pouco até diz que o que se passa na Coreia do Norte é uma ditadura, crua, infantil, comunista e cruel! Mas não espero tanta mudança de um simples mundano.

Sampaio da Nóvoa

Sampaio da Nóvoa

Chega a hora de Sampaio da Nóvoa, um mundano. Um homem coerente. O homem contra o sistema! O homem que quer ter o apoio do sistema! Um homem que em ’74 era membro da LUAR – Liga de Unidade de Acção Revolucionária, que entre os vários ideais, o democrático não contava. Segundo uma notícia do I online, “o agora candidato a Presidente da República era contra a Constituição democrática; era contra uma democracia de tipo ocidental; defendia a luta armada para instaurar uma ditadura popular”. Este homem vir evocar a luta contra o sistema não pode, nem deve ser considerado novo. É normal! Aliás – e é aqui que Marcelo tem razão – ele ter o apoio do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses é uma simples cadeia lógica de pensamento. Ambos querem uma boa democracia à velha moda de Mao Tsé-Tung.

Também de Esquerda, mas só do contra, aparece Marisa Matias. Uma mulher do povo, para o povo. Que de tão pouco populismo no discurso devia já ser eleita honoris causa! A candidata que anda de comboio, metro, transportes públicos em geral, que traz para o debate o facto de não se estar a candidatar por interesse, e que por isso, só por amor. Bem, podem dizer que tive maus exemplos, mas a última mulher que me veio com conversas que não estava comigo por interesse, mas por amor, foi-se a ver e estava a mentir. Porque afinal de contas, quatro rodas eram melhor que duas pernas, e neste caso, vejo bem qual pode ser o interesse que esta mulher possa ter. Ou seja, ela escolheu dos poucos argumentos que não devia. É que tal como a mim, acredito que muitos homens tenham um flash-back, déjà vu, e não queira voltar a ser enganado. Outras mulheres, podem olhar para isto como concorrência desleal. Algo que se compreende. Pede-se a intervenção rápida da CNE!

Marisa Matias

Marisa Matias

Sobram 5 candidatos, 5 perfis distintos. Temos o nosso Tiririca, o nosso Beppe Grillo, o nosso Tino de Rans. Um homem cheio de chavões e frases feitas, que tinha como objetivo de campanha trazer alegria ao povo, e pelo simples facto de ter apresentado a campanha já conseguiu. Mas se o senhor Vitorino Silva é o homem da alegria, há quem vá mais longe. Professor Doutor Jorge Sequeira. Psicólogo de profissão, e motivational speaker nos tempos livres. Dizem por aí que normalmente os profissionais do discurso motivacional podem também ser chamados de charlatões, mas eu duvido que algum dos candidatos tenha tantas capacidades para fazer o povo feliz, do que aquele que consegue entrar na cabeça do povo! Um homem poético, é o que nos estava a faltar nesta campanha. Henrique Neto, um “homem à antiga”. Tem a seu favor parecer avô de todos nós. Tem contra si não ter uma máquina de campanha bem oleada, uma fraca prestação nos debates e a falta de apoio do PS. Paulo Morais, o moralista! É exatamente isto que é. Diz que se candidata contra a corrupção, contra o sistema, contra tudo, excepto contra a demagogia e o populismo. Talvez tenha futuro quando consiga fazer um discurso sobre mais do que um tema. Faz lembrar os autistas –“Dr Paulo Morais, o que acha do novo orçamento de Estado?” “Corrupção!” “Então e do SNS?” “É corrupto!” “E da sua candidatura?” “É contra a corrupção!”. Mas depois esquece-se de declarar o total do seu património. Há coisas macabras… Por fim, e com propósito, fica Cândido Ferreira. É que eu tinha medo que se fosse o primeiro candidato a ser mencionado, ele tivesse abandonado o texto.

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