ESPECIAL

11 de Setembro de 2001 – O 11 Mais Negro da História

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Por mais anos que passem, nada apaga da minha memória aquela manhã de 11 de Setembro em que estava sentada em frente à televisão, a gargalhar com os desenhos animados. De repente a emissão é interrompida e tudo acontece em segundos à frente dos olhos de uma criança de 8 anos. Como posso eu esquecer-me daquela manhã? A tentativa de mudar de canal revelou-se um fracasso, pois todos falavam sobre o mesmo. Apesar de, pela idade, ainda não ser capaz de alcançar a gravidade de tudo o que estava a acontecer, continuei a assistir atentamente para poder contar tudo aos meus pais quando chegassem a casa.

Se tudo aquilo foi marcante para uma mera criança de 8 anos, não consigo imaginar como foi para os que viveram na pele, para os que estavam dentro daquelas torres a ver a vida por um fio, para os que perderam alguém, para os que respiraram aquelas cinzas, para os que no desespero viram no suicídio a solução. Caros leitores, cabe-me a mim, neste mês de Setembro, ter a ingrata tarefa de o fazer reviver aquele dia, 11 de Setembro de 2001.

A construção do World Trade Center foi iniciada em Agosto de 1966 e a inauguração a 4 de Abril de 1973. O projeto foi de Minoru Yamasaki (arquiteto-chefe) e Emery Roth & Sons, como associados. Por entre sete edifícios, a imagem de marca eram as torres gémeas, os prédios mais altos de Nova Yorque, com 417 metros de altura e 110 andares. Cerca de 50 mil pessoas trabalhavam naquele que era considerado o coração financeiro de Nova Iorque, e por dia calcula-se que circulassem mais de 200 mil.

Antes do atentado que lhe ditou o destino que conhecemos, o World Trade Center passou por um incêndio a 13 de Fevereiro de 1975, um atentado a 26 de Fevereiro de 1993 e um assalto a 14 de Janeiro de 1998.

Acredita-se que o atentado de 93, possa ter sido um ensaio para o que viria a acontecer a 11 de Setembro de 2001. O plano dos terroristas era derrubar uma das torres, fazendo-a explodir pela base para, posteriormente, cair sobre a outra. Para o efeito, foram colocados 600 quilos de explosivos num camião, que entrou para o parque de estacionamento subterrâneo da Torre Norte. Oito anos depois um novo ataque viria a resultar.

A Manhã de 11 de Setembro de 2001 em Horas e Minutos

Por muito que os norte-americanos se sentissem como um alvo da Al Qaeda, era difícil adivinharem, o dia, a hora, os locais ou até a forma de serem atacados. Quem iria prever que seriam ataques aéreos suicidas?

9/11

“O avião alterou a rota e às 8 horas e 46 minutos embate na torre norte do World Trade Center entre os andares 93 e 99.”

Estava a ser uma manhã normal para os controladores do tráfego aéreo e era um dia importante para Ben Sliney: era o primeiro dia como Gerente de Operações Nacionais do Centro de Comando da Administração Federal de Aviação. Foi posto à prova em todos os sentidos. O primeiro alerta surgiu quando 15 minutos depois de levantar voo, o controlo de tráfego aéreo de Boston perde o contacto de rádio com o voo 11 da American Airlines, que tinha como destino Los Angeles. O avião alterou a rota e às 8 horas e 46 minutos embate na torre norte do World Trade Center, entre os andares 93 e 99.

O pânico instalou-se, mas o pior é que este era o primeiro de quatro ataques. Os controladores de tráfego aéreo detetam outro avião a sair da rota, desta vez o voo 175 da United Airlines. A força aérea norte-americana entra em ação assim que possível para tentar intercetar o voo 11 da American Airlines (pois não acreditavam que pudesse ter embatido contra a torre) e o voo 175 da United Airlines. O esforço foi em vão e às 9 horas e 3 minutos, o voo 175 embate na torre Sul.

Sem tempo para respirar destes dois ataques, apenas dois minutos depois, uma nova suspeita, o voo 77 da American Airlines desvia a rota em direção à capital, Washington. Às 9 horas e 37 minutos, o desvio viria a traduzir-se no terceiro embate, desta vez no Pentágono, a sede das Forças Armadas Norte-Americanas.

A situação estava a atingir um ponto tal de descontrolo que, Ben Sliney, recordo, Gerente de Operações Nacionais do Centro de Comando da Administração Federal de Aviação, ordenou que todos os aviões próximos de aeroportos aterrassem, independentemente dos destinos. Foram parados mais de 4 mil voos!

Ainda assim surge uma quarta chamada de atenção para o desvio na rota de um quarto avião: o voo 93 da United Arilines. Entretanto, às 9 horas e 59 minutos, a torre sul não resiste e desaba.

Enquanto isso, faz-se tudo para intercetar o voo 93 e descobrir onde vai parar. Acabou por se despenhar a noroeste da Pensilvânia, a 20 minutos de chegar a Washington. Os 44 passageiros e a tripulação acabaram por morrer.

Às 10 horas e 28 minutos a torre norte rui. A manhã negra de 11 de Setembro de 2001 levou mais de três mil vidas e deixou uma ferida por curar no coração de Nova Iorque.

Depois do 11 de Setembro de 2001

Não há maneira de contornar o negrume desta data de tão grave e chocante que foi. Está tão presente nas nossas memórias que parece sempre que foi ontem.

Foram inúmeros os que se inspiraram nos ataques para criar músicas, filmes, documentários e até livros.

11 de Setembro

Documentários

Fahrenheit 9/11 (2004): Dirigido e narrado por Michael Moore, retrata como os Estados Unidos se tornaram alvo de terroristas e o estado em que o país ficou depois do 11 de Setembro.

11’09”01 – 11 Perspetivas (2002): Reúne a visão de 11 realizadores de 11 países diferentes sobre os atentados.

9/11: Um documentário de dois irmãos franceses, Jules e Gedeon Naudet, que estavam em Manhattan a filmar um documentário com os bombeiros de Nova Iorque quando os atentados ocorreram.

The Woman Who Wasn’t There: Um registo diferente, que conta a história daquela que é conhecida como a maior impostora do 11 de Setembro. Trata-se de Tania Head, uma suposta sobrevivente do atentado que teria perdido o marido e que se tornou presidente de uma associação de sobreviventes. Em 2006 descobriram que afinal se trata de Alicia Esteves Head, uma cidadã espanhola que nem sequer estava em Nova Iorque.

Filmes

Voo 93 (2006): Mostra a forma como os passageiros do voo 93 da United Airlines conseguiram impedir que o avião fosse desviado pelos terroristas. O avião acabou por cair perto de Shanksville, Pensilvânia.

Estado de Guerra (The Hurt Locker) (2008): Realizado por Kathryn Bigelow, o filme acompanha uma equipa de soldados do exército norte-americano, que tem uma das tarefas mais duras da guerra no Iraque: desarmar bombas em pleno local de combate. Ganhou seis óscares da Academia. Não é diretamente sobre o 11 de Setembro mas mostra uma das guerras que sucederam.

World Trade Center (2006): Realizado por Oliver Stone, e protagonizado por Nicholas Cage, conta a história de dois agentes da autoridade que ficaram soterrados nos escombros do primeiro embate.

Livros

O Homem em Queda: Escrito por Don DeLillo, conta a história de um dos sobreviventes do atentado.

Netherland (2008): Da autoria de Joseph O’Neill, conta a história de um holandês que vivia em Nova Iorque e que encontrou no cricket a terapia para ultrapassar o trauma.

102 Minutos: Escrito por Kevin Flynn e Jim Dwyer, é um relato da luta pela vida dentro do World Trade Center na manhã de 11 de Setembro.

Músicas

An Open Letter to NYC – Beastie Boys

The Rising – Bruce Springsteen

911 – Gorillaz, D12 & Terry Hall

On That Day – Leonard Cohen

Let’s Roll – Neil Young

I Can’t See New York – Tori Amos

Ground Zero – Chris Cornell

My Blue Manhattan – Ryan Adams

We Are All Made Of Stars – Moby

Self Evident –  Ani diFranco


Ground Zero – O Renascer

Depois das cinzas, a hora de renascer. O arquiteto Daniel Libeskind foi o responsável pelo projeto de recuperação do Ground Zero: é composto por cinco torres de escritórios, um memorial, um museu e um centro de transportes. A primeira torre começou a ser construída em 2008 e tem 104 andares. Na base das torres gémeas fica o memorial; mais de 30 mil metros quadrados com duas cascatas e o nome de todos os que perderam a vida.

Ground Zero

” A primeira torre começou a ser construída em 2008 e tem 104 andares. Na base das torres gémeas fica o memorial; mais de 30 mil metros quadrados com duas cascatas e o nome de todos os que perderam a vida.”

Sobre o 11 de Setembro de 2001, haverá sempre questões por responder, razões por conhecer, dúvidas, enigmas, mas uma coisa é certa, esta será sempre uma ferida aberta no coração da América.

E o leitor? Onde estava quando tudo aconteceu?

Voltamos a encontrar-nos em breve, por entre linhas e sorrisos,
Margarida Gaspar

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