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10 RPGs para Jogar Antes de Morrer

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Não é segredo para ninguém que, nas minhas crónicas dispenso a apresentação de listas pomposas que se comprometem a mostrar os “melhores” filmes ou jogos de todo o sempre. As opiniões são discutíveis e o gosto pessoal reina sempre, seja em que parâmetro for. Depois do sucesso de Os 20 Filmes Que Tem de Ver Antes de Morrer e de As 20 Bandas Sonoras Para Ouvir Antes de Morrer, chegou a altura de me voltar para o mundo dos videojogos e trazer até aos leitores do Ideias e Opiniões, Os 10 RPGs Para Jogar Antes de Morrer. Numa indústria tão vasta seria impossível trazer uma lista que cobrisse todos os géneros, sem descurar amargamente de vários jogos de grande qualidade. Sendo a minha especialidade RPGs, de preferência ocidentais, é natural começar por este género.

As regras são simples! Esta lista vai deixar de lado os JRPGs, ou seja, RPGs de origem nipónica, o que daria azo a toda uma outra lista, que cobre uma área em que este humilde cronista tem explorada, em menos quantidade. A lista dispensa também os RPGs exclusivamente online, os MMORPGs, pois têm as suas próprias particularidades. O resto é uma mistura de gosto pessoal e experiência de quase 20 anos em contacto com videojogos. Certamente não corresponderá aos gostos de todos, mas que mesmo assim pode servir como sugestão do que jogar a seguir. Experimentem!

10. Legend of Grimrock (2012)

A melhor maneira de entender um RPG na sua essência, mas também na sua evolução, é olhar para onde tudo começou, pelo menos na sua forma virtual. RPGs existem há muito tempo e, se virem Stranger Things têm um vislumbre das 9 horas de campanhas à volta de uma mesa, com grandes doses de imaginação e um guidebook. Para os mais single-player surgiram também os RPGs em livro, no modelo choose your own adventure, como Fighting Fantasy, ou em português Aventuras Fantásticas, na altura editados pela Verbo. Mas, se passarmos as primeiras incursões virtuais, com as aventuras de texto e comandos simples chegamos, rapidamente, a uma outra que tem como principais títulos Might and Magic, Dungeon Master ou Eye of the Beholder.

Seria bastante desconfortável para uma nova geração de gamers aconselhar, em pleno 2017, Dungeon Master, mas recentemente surgiu um género adormecido durante anos, através de um projecto de uma empresa indie chamada Almost Human. Legend of Grimrock. É o ressuscitar de um género e teve bastante sucesso com o seu primeiro capitulo. Quatro heróis, completamente customizáveis e condenados pelo rei ao pior dos castigos, devem explorar uma dungeon, com a certeza de que ao sair dela os seus crimes serão absolvidos. O objectivo é que se percam no meio de puzzles e inimigos, e claro, que por lá morram.

Cabe ao jogador explorar e evoluir as suas personagens através da combinação de classes que mais lhe aprouver. Imitando os RPGs de outrora, as personagens não estão visíveis, e a perspectiva em primeira pessoa abre azo à imaginação de cada um. Numa dungeon grid-based, com uma movimentação própria e um sistema de sobrevivência que obriga à utilização de tochas e de mantimentos, para que os herois não morram de fome, esta aventura pode tornar-se ainda mais difícil, num modo de jogo onde não há mapa.

Legend of Grimrock já tem uma sequela, Legend of Grimrock II (2014), que tem um mundo mais aberto, com ambientes exteriores, no entanto, para começar a aventura e ganhar alguma iniciação, o primeiro titulo continua a ser o mais aconselhado.

9. Kingdoms of Amalur: Reckoning (2012)

Ás vezes é triste quando um jogo passa à margem de uma comunidade inteira, ou é posto de parte por títulos superiores. Kingdoms os Amalur foi atormentado, em última instância, por problemas que levaram a sua produtora à ruína, a 38 Studios. O jogo é, no entanto, uma hidden gem baseada no universo criado por R. A. Salvatore. O jogador encarna o papel de Fateless One, a primeira experiência bem sucedida de ressuscitação de um engenho experimental chamado Forge of Souls. Esta particularidade acaba por trazer consigo poderes especiais, e a capacidade de enganar o seu próprio destino, bem como o daqueles que o rodeiam.

Amalur tem um mundo enorme à disposição do jogador, que pode ocupar centenas de horas a completar, um sistema de combate bem implementado e ainda, uma possibilidade de escolhas únicas em termos de habilidade. A personagem do jogador é uma página em branco, mas com a sua evolução certas combinações de habilidades dão acesso a classes que lhe dão vantagens, tudo isto através de um sistema de cartas de tarot, devidamente adaptadas ao universo. Estas combinações apelam à experiência e também, quão bom é criar uma personagem que alia habilidades de warrior aos instintos assassinos de um rogue.

Já foi aclamado como uma mistura de Fable, com uma certa ambiência de Torchlight e com combate digno de God of War, não pela violência, mas sim pela maneira como é implementado. Bastante action-based e, com um mundo vibrante, tem como principais defeitos uma história, nem sempre inspirada e com uma componente que o torna repetitivo. No entanto, é, sem dúvida, um dos grandes RPGs da última década, que, infelizmente, não deve ver nenhuma sequela tão cedo. Até lá resta jogar ao jogo original e às suas duas expansões, The Legend of Dead Kel Teeth of Naros

 8. Pillars os Eternity (2015)

Tal como o estilo de RPG que Legend of Grimrock tenta replicar, outro género esquecido, mas altamente popular no final do ultimo milénio, está a ganhar novos adeptos. O infinity engine, um motor de jogo de RPGs isométricos desenvolvido pela Bioware, deu azo a toda uma era de videojogos que, eventualmente, abriram caminho para a verdadeira popularização desde género. Com histórias cativantes e personagens únicas, a empresa criou o clássico Baldur’s Gate (1998), e vendendo os direitos a companhias como a Black Isle Studios e a Obsidian, fez com que muitos jogadores vissem surgir Planescape: Torment (1999) e a série de Icewind Dale (2000–2002). Mesmo com muitos destes RPGs devidamente restaurados, e com novas versões oficiais em alta resolução, são claramente peças datadas. Aventuras de longos textos e poucas vozes, já não apelam a um público de uma nova geração. Ou será que sim?

Muito recentemente a Obsidian, numa situação financeira bastante precária, resolveu criar uma campanha de kickstarter apelando à nostalgia de muitos. Ultrapassando as expectativas monetárias, a companhia conseguiu produzir uma nova aventura baseada no velhinho infinity engine chamada Pillars of Eternity (2015). O jogador assume o papel de um aventureiro, num mundo de fantasia original, que, por acidente, ganha o poder de contactar com as almas dos falecidos. Sendo que este poder o levará a loucura, e o impede de dormir, o principal objectivo é reverter a maldição e, no processo, salvar o mundo!

Mesmo neste novo formato, a aventura retém a maioria das funcionalidades das suas principais inspirações, e mostra um estilo de RPG old school, esquecido há quase quinze anos. Passando-se num novo universo não faltam histórias para contar, muito texto e poucas voice lines, e algumas dezenas de horas de diversão que depressa se podem tornar em centenas. A dificuldade é acrescida e, não é fácil sair da formula actual dos RPGs de nova geração, no entanto, é mais uma maneira optima de perceber de onde viemos e para onde vamos!

 7. Grim Dawn (2016)

O primeiro jogo de Diablo (1996), da Blizzard Entertainment, veio revolucionar os RPGs de forma flagrante. A espera entre Diablo II (2000) e Diablo III (2012), abriu uma grande expectativa, que fez com que fossem procuradas alternativas dentro do género. Titan Quest (2006), da Iron Lore Entertainment, foi uma delas, com uma história baseada nas mitologias clássicas e oferecendo um modelo de ARPG (action role-playing game), que parecia marcar uma nova geração. Infelizmente, a terceira instalação do fenómeno da Blizzard não começou da melhor maneira, e embora tenha melhorado consideravelmente, está longe da experiência que muitos fãs desejam.

Com a falência da Iron Lore Entertainment, alguns dos seus antigos membros formaram a Crate Entertainment, e resolveram criar um kickstarter para desenvolver um sucessor espiritual para Titan Quest. Grim Dawn é o resultado final e, embora não beneficie do grafismo da ultima geração, é para alguns uma verdadeira alternativa para quem odeia o rumo tomado pela Blizzard.

Com alguma inspiração vitoriana, a que se aliam aliens e todo o tipo de criaturas fantásticas, o universo deste jogo é peculiar, mas cheio de óptimas ideias. Com um sistema que permite a junção de duas classes, um mundo vasto cheio de segredos e novo conteúdo por sair. Grim Dawn é talvez o RPG, que os mais puristas da formula Diablo original necessitavam e é, também, um testemunho moderno indispensável para aqueles que querem ficar horas a horas a desenvolver uma personagem forte, encontrar melhor loot e ultrapassar os desafios, de todas as dificuldades que o jogo oferece. A história permite também escolher algumas das suas ramificações, nomeadamente através das facções, e isso influencia, embora minimamente, algumas pequenas histórias no decorrer da aventura. Tem também um modo co-op que permite juntar amigos e desfrutar de uma aventura que ocupa centenas de horas.

6º Dragon Age: Origins (2009)

Bioware é uma das grandes empresas quando falamos de RPGs e se a sua ascensão passou por clássicos, como Baldur’s Gate (1998), já há muito levantou voo com novas franquias de sucesso e um futuro promissor. Dragon Age é talvez o universo de fantasia mais original desta companhia e merece mais elogios do que as suas posteriores sequelas.

Assumindo o papel de um de três raças clichés da fantasia (humano, elfo e anão), é depressa evidente que o papel da personagem recém criada estará ligada à ordem dos Grey Wardens, encarregues da defesa do mundo contra os darkspawns, criaturas derivadas de pecado e magia negra. Embora o mal esteja bem definido, a história tem ainda uma forte componente cinzenta e política, que tem repercussões em todas as raças de Ferelden, e em todo o mundo de Thedas.

Num mundo que aborda temas como a opressão e o racismo, Dragon Age é sangrento e adulto, com personagens memoráveis como Leliana e Morrigan, e com decisões que importam no destino de muitas delas. Encontrando fidelidade numa abordagem moderna a RPGs old school da mesma companhia, Dragon Age é memorável pela sua profundidade, mesmo que as suas expansões e sequelas não tenham sido tão inspiradas. Renovou uma fórmula antiga e o resultado, embora longe de ser, completamente, original e transcendente, tem o mérito da inovação técnica, pelo menos para 2009.

5º Vampire The Masquerade: Bloodlines (2004)

Parte do universo ficcional World of DarknessBloodlines não foi o primeiro videojogo inspirado nesta saga de vampiros. Vampire: The Masquerade – Redemption (2000), da Nihilistic Software, já tinha introduzido o universo ao ambiente virtual, mas as reviews foram uma mistura de elogios e criticas negativas, que, infelizmente, não atribuíram ao título o respeito merecido pela sua atenção ao design dos seus níveis à narrativa, que começa em Praga e Viena, na Idade Média, e acaba em Londres e Nova Iorque nos nossos dias.

Pela mão da Troika Games surge, não uma sequela, mas sim uma nova abordagem ao universo onde o jogador deve assumir o papel de um vampiro de um de diversos clãs disponíveis, e adaptar-se à vida nocturna e secreta da comunidade vampira norte-americana, mantendo o segredo e servindo, ou não, de mediador entre facções, com visões muito diferentes da sociedade onde pertencem.

Atormentado pela pressão de datas de lançamento Bloodlines não entrou de pé direito, no entanto, é ainda hoje considerado um dos melhores RPGs de todos os tempos! Com a falência da Troika Games, coube a uma comunidade inspirada e fiel corrigir a versão final do jogo, que ainda hoje, treze anos depois, é alvo de patches não oficiais. Mas o que tem Bloodlines que cativa tantos anos depois? Uma das razões é, sem dúvida, a ambiência gótica, as personagens emblemáticas e os diversos sistemas implementados na aventura, que permitem jogar com grande liberdade mesmo numa experiência, por vezes, claustrofóbica. Com uma história cativante, todos os clãs de Bloodlines proporcionam uma aventura diferente e, no caso dos Nosferatu, que não conseguem esconder a sua fisionomia horrenda dos humanos, é necessário recorrer ao stealth e a passagem subterrâneas pelo esgoto de forma a não activar o masquerade, criando assim toda uma nova maneira de experimentar o videojogo.

Embora as personagens são demasiado pré-definidas, sem possibilidade de grande costumização visual, a não ser a mudança de sexo, e o jogo é, ainda hoje, instável em qualquer computador. Bloodlines é um testemunho do que ainda hoje é procurado num RPG. Com vários finais e quests secundárias há um factor de surpresa inesperado e, ainda hoje, à frente do seu tempo. Vale a pena alguma luta para instalar alguns mods e aplicar alguns patches que permitem resoluções mais altas e widescreen. Viver como um vampiro nunca foi tão imersivo e libertador!

4º Mass Effect 2 (2010)

Propor o segundo título da franquia é quase um convite a jogar o primeiro jogo. Infelizmente, a primeira instalação não tem tanta qualidade, e a sua sequela Mass Effect 3 é, por si só, um jogo cheio de polémica devido ao seu final, que nem mesmo um DLC conseguiu reparar completamente. Mass Effect 2 é, no entanto, muito próximo do que seria de esperar de um jogo perfeito, especialmente, na maneira como toda a franquia junta o RPG ao shooter de terceira pessoa. Mais uma vez, é a Bioware a trabalhar, com diálogos sublimes, escolhas que importam, especialmente no ultimo acto, e um sistema de bem e de mal, que peca por ter auxilio visual de duas cores.

Com uma das sequências iniciais mais alucinantes, ME2 começa com a morte do protagonista, que é reconstruído e revivido por uma corporação duvidosa, a Cerberus, liderada pelo Illusive Man, um dos principais vilões. Confuso pelo esforço levado a cabo para o trazer de volta e nas garras de uma corporação racista, depressa é envolvido numa teia de interesses e mistério, que tenta resolver enquanto combate contra os Collectors, uma espécie de insectos humanóides que raptam humanos e que abrem caminho para os vilões galácticos sempre presentes, os Reapers.

Dispensando as sequências bizarras de mako do seu antecessor, todo o gameplay é melhorado e revitalizado, com melhorias também nas funcionalidades da Normandy, a Enterprise desta saga icónica. Com quests secundárias interessantes e testes de moralidade e capacidade que testam a capacidade de comando do protagonista, ME2 é imperdível!

3º Star Wars: Knights of the Old Republic (2003)

Uma aventura por uma era desconhecida de Star Wars, Knights of the Old Republic, poderia ter sido mais um jogo mediocre, não fosse a qualidade da Bioware em dar credibilidade a uma história cativante, do principio ao fim. Quatro mil anos antes da saga Skywalker, o protagonista acorda amnésico numa nave da República, atacada pelas forças do Império Sith de Darth Malak. Com um protagonista que não sabe quem é, KOTOR é uma história de descoberta, com personagens cativantes e inúmeros planetas, conhecidos e desconhecidos, que expandem o universo de George Lucas. Tem também um dos maiores plot twists da história dos videojogos, deixando qualquer jogador boquiaberto!

A escolha é, também, uma das particularidades de um jogo que tem um sistema de moralidade de light e dark side, como seria de esperar deste universo. Micro decisões afectam personagens e NPCs, e vivem para sempre na consciência da nossa personagem, que se vai transformando e ganhando bonificações pelas suas atitudes. Com apenas dois grandes finais drasticamente dispares, o que conta é mesmo os pequenos pormenores, que fazem toda a diferença neste clássico.

Com um sistema de combate e evolução de personagens típico de clássicos da Bioware, ser um jedi pode não ter o dinamismo de outras franquias dentro de Star Wars, mas é gratificante a liberdade que é dada em tudo o resto. O jogo está disponível para plataformas móveis e a sua sequela Knights of the Old Republic II: The Sith Lords (2004), é também um dos grandes pilares na história dos RPGs, tendo sido desenvolvido pela Obsidian e alvo de um patch muito recente, que facilita a sua performance num sistema operativo moderno.  

2º The Elder Scrolls III: Morrowind (2002) / The Elder Scrolls V: Skyrim (2011)

É, talvez, um pouco injusto juntar dois jogos da mesma saga no mesmo lugar desta lista, no entanto, brevemente será possível visitar ambos no mesmo jogo com Skywind, um mod feito pela comunidade que irá remasterizar Morrowind, no motor de Skyrim. Mas porquê escolher ambos os jogos da Bethesda? Embora separados por 9 anos cheios de inovação são pilares que devem ser analisados com detalhe.

Desde o momento em que o jogador põe o pé no porto de Seyda Neen em Morrowind, o mundo está pronto para uma aventura onde é livre para explorar. Sem diálogos vocalizados, é na sua maioria uma aventura baseada na leitura, nada de especial para 2002. É, no entanto, a escala que faz toda a diferença. Com detalhes que evidenciam um passado remoto e, com uma arquitectura que destaca cada cidade, Morrowind é um dos videojogos revolucionários do virar do milénio. O combate é arcaico, o sistema de magia completamente desactualizado, mas é o seu espírito e a sua essência que fazem a diferença. O jogador tem algo fundamental à sua disposição, a liberdade. Pode ser quem quiser, explorar o que quiser, alistar-se em várias facções e viver a vida de um mercenário, ou de um ladrão. É um livro em branco, que pode escrever e construir. Há algo de sandbox, antes mesmo da expressão ter sido devidamente inventada!

Embora The Elder Scrolls IV: Oblivion (2006) também pudesse merecer alguma menção honrosa, é Skyrim que ocupa o segundo lugar repartido. Expandindo e revolucionando o modelo de RPG do virar da primeira década, a liberdade é ainda maior, e encontra funcionalidades novas que dão ainda mais escolha ao jogador. Embora as quests não tenham finais altamente diferenciáveis na maioria das vezes, a região gelada de Skyrim oferece diversidade e, mais uma vez, atenção ao detalhe. Se matar dragões não agrada à personagem porque não só fazer as missões principais depois de 500 horas de exploração? É possível e altamente aconselhável! Com segredos a cada virar da esquina e uma comunidade que mais do que nunca cria conteúdo diário. O céu é o limite!

1º The Witcher 3: Wild Hunt (2015)

Jogos revolucionários são cada vez mais uma raridade. Se CDProjekt RED já tinha dado cartas com os primeiros dois videojogos, The Witcher 3 deu um passo em frente e reformulou, com ele todo um novo padrão no que toca à construção de RPGs. Com mapas enormes que nunca parecem vazios, quests que fazem a diferença, e não apenas demandas para colecionáveis, e a liberdade para explorar, mesmo que por detrás de limites de nível, são os principais feitos deste videojogo de última geração. A liberdade que oferece, não é tanta, pelo menos quando comparado com a série de The Elder Scrolls, mas é, na sua escala, e na espectacular maneira como constrói a narrativa que realmente cria a emersão necessária e única. Das terras de ninguém de Velen, passando pelas ilhas de inspiração viking de Skellige, até ao ambiente romântico de Toussaint, nunca um videojogo chegou tão longe em detalhe e coesão.

Embora a personagem seja pré-definida e poucas sejam as opções de customização, é a escolha, e as suas consequências para a narrativa, que mais eleva o jogo na categoria de titulo obrigatório. A escolhas morais são mais do que decidir entre o bem e o mal. A maior parte das vezes há toda uma área cinzenta que, nem sempre causa resultados imediatos. Os momentos antes dos créditos finais mostram isso mesmo, e levam o jogador a pensar em todas as decisões, sendo que mesmo as mais pequenas podem ter resultados desastrosos ou benéficos para os intervenientes. Geralt pode ser um caçador de monstros, mas muitos deles vestem forma humana, e estas personagens, por vezes mais perigosas do que qualquer criatura horripilante, são o exemplo perfeito da faceta cinzenta tão bem explorada durante as horas e horas de jogo.

Com cerca de 200 a 300 horas bem jogadas, e uma história que se alimenta de um dos maiores sucessos de fantasia da Polónia, The Witcher é visualmente encantador, e fecha um ciclo para a saga de Geralt of Rivia. Com a nova geração de RPGs rendida a muitas das ideias deste título, que é referido como exemplo para muitos developers, resta perceber o que aparecerá nos próximos anos dentro do género. Espera-se, no entanto, jogos com mais longevidade e com novos padrões em termos de quest design e escala. Até lá terão de sair da sombra da obra-prima da CDProjekt RED. Tarefa difícil, mas que certamente proporcionará mais um leque de avanços para o género!

Percorremos, através desta lista, alguns títulos importantes, tecendo uma espécie de guia, que embora seja uma escolha pessoal, serve também para entender de onde veio e para onde vai este género. Se esta lista o fez recordar alguns dos grandes videojogos que jogou ou joga, ou redescobrir todo um universo no género que lhe tinha passado ao lado, não hesite! Ligue o seu computador ou consola, ou até o seu tablet. E se o fizer, a minha quest está completa!

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