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As 10 Melhores Músicas Internacionais de 2017

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Não parece ser justo nem sensato escrevermos uma nova página nas nossas vidas sem antes recordamos e reflectirmos sobre o que ficou para trás. É uma filosofia que se pode aplicar tanto no dia-a-dia como na música, e que ganha ainda mais valor no mês de Dezembro, altura de todas as retrospectivas.

Nos próximos minutos convido-vos, por isso, a revisitarem algumas das canções sem as quais 2017 não se escreve. Sem ordem de importância e outro propósito que não seja o de celebrar:

Lorde- “Green Light”- Não andaremos todos nesta vida numa busca e ânsia pela libertação? Cada amarra que nos prende, cada pensamento que nos atropela e cada espinho cravado no peito dissipam-se na artéria principal de Melodrama, manifesto explosivo sobre ter-se vinte anos, um coração desfeito e uma sede insaciável de vida. Jack Antonoff, esteta primordial de 2017, fez parte da moldura. “Green Light” foi o coming of age de Lorde. E foi simplesmente maravilhoso – e libertador – de assistir.

Miley Cyrus- “Malibu”- Uma das boas surpresas do ano foi assistir ao amadurecimento musical de Miley Cyrus, que este Verão nos pôs a todos de lágrima no olho à procura do nosso Malibu state of mind e a acreditar que chegamos sempre onde havemos de chegar, mesmo que pelo caminho nos desviemos da rota originalmente traçada. Ei-la a retornar aos braços de Liam Hemsworth e a encontrar a tão desejada paz de espírito na sua canção mais sóbria e bonita à data.

Dua Lipa- “New Rules”- A Dua Lipa faltava apenas um êxito global que comprovasse o potencial que canções como “Be the One” ou “Hotter than Hell” deixavam antever. Ele chegou com toda a pompa e circunstância em pleno Verão na figura de “New Rules“, um senhor banger tropical house/EDM que veio instituir as leis essenciais da desvinculação amorosa. Um vídeo estupendo que celebra a união e solidariedade das #miguxas fez o resto.

Pink- “Beautiful Trauma”- Há algo de comovente em ver Pink a transcender-se e a continuar a arranjar razões para nos arrebatar dezassete anos depois de ter iniciado o seu percurso. Propulsiva produção synth-rock com assinatura do bestial Jack Antonoff acerca da relação disfuncional que a cantora mantém com o marido, “Beautiful Trauma” assume-se como o momento mais forte do álbum e representa um momento glorioso no seu percurso. Quanto coração, vida e beleza aqui depositados.

Kendrick Lamar- “Humble”- No topo da montanha, Kendrick contempla Deus, desafia a concorrência e questiona os ditames da sociedade – “Humble” foi o arrasador cartão de visita de Damn, construído sob um beat esparso de Mike Will Made It assente em sinistras teclas de piano e uma linha de baixo da sempre fiel 808. Hol´up hol´up hol´up!

Katy Perry feat. Skip Marley- “Chained to the Rhythm”- Recuemos no tempo e sintamos de novo a esperança de que 2017 será mais um ano de formidável colheita para Katy Perry. Sentem-no? “Chained to the Rhythm” enganou-nos bem: aditiva construção disco pop de tempero dancehall sobre despertar a consciência social e política numa América diabolizada por Trump. Perry foi vítima da sua própria ambição e fraquejou em tudo o que se seguiu, manchando assim um percurso até aqui galáctico. Se ao menos Witness estivesse estado ao mesmo nível, as coisas poderiam ter sido diferentes.

French Montana feat. Swae Lee- “Unforgettable”- Um dos hinos maiores e mais aptos deste Verão, trouxe o rapper norte-americano para picos de popularidade nunca antes experienciados, mas o crédito maior é de Swae Lee – o irmão mais novo dos Rae Sremmurd que há um ano congelava meio mundo com “Black Beatles” – a fluir por entre uma pegadiça produção dancehall como uma brisa fresca num dia de calor intenso.

Paramore- “Hard Times”- Dançar sobre a depressão nunca soube tão bem. Em mais uma vigorosa e entusiasmante mudança de cores, Hayley, Zac e Taylor continuam a espelhar as agruras da maioridade, aliviando de certa forma as nossas, e a desbravar caminho de forma hercúlea depois de mais uma volta pelo Cabo das Tormentas. Continuamos juntos.

Camila Cabello feat. Young Thug- “Havana”- Karla Camila estava quase a arrepender-se de ter abandonado o barco das 5H no seu auge, quando “Havana” chegou e a empurrou definitivamente para um destino a solo que mais cedo que tarde se haveria de cumprir. Intenso affair latino suportado por teclas gingonas e trompete sedutor, reflectiu com orgulho a herança cubana da sua intérprete, tendo monopolizado o último quadrimestre do ano e prolongando o surto de febre latina que invadiu o panorama. Parte do nosso coração estará sempre em Havana-ooh-na-na.

SZA- “Drew Barrymore”- Muito mais um hino sobre a aparente perfeição projectada pelas personagens dos filmes a que Drew Barrymore deu vida do que à actriz em si – e de como esse retrato dita os cânones pelo qual uma jovem mulher do séc. XXI se deve reger – expressa bem a lírica contundente e a arquitectura neo soul intemporal a que SZA apontou na maravilhosa estreia.

Um ano de bela colheita, este, não foi? Apreciemos a espuma destes últimos dias, porque entretanto é tempo de virarmos a página e começarmos tudo de novo. Até para o ano!

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